Trabalhar em uma indústria siderúrgica é estar expostos a riscos durante todo o tempo de execução das tarefas, sejam eles físicos, químicos, biológicos ou ergonômicos. 

Daí, surge a necessidade de promover mais segurança e saúde coletiva, prevenindo acidentes na execução do processo fabricação de ferro e aço. Estabelecer uma cultura interna com esse objetivo é difícil, mas se torna essencial para colher bons resultados. 

Neste artigo, analisaremos as principais práticas utilizadas para promover a integração da segurança do trabalho nas fábricas de ferro e aço. Confira!

Segurança do trabalho

As indústrias siderúrgicas operam com diferentes métodos produtivos, o que torna essas empresas um dos ambientes mais ricos em aprendizado e desenvolvimento em Higiene Ocupacional.

Sua produção, desde da entrada de matéria-prima até a laminação de placas, perpassa diversos tipos de agentes químicos, físicos e biológicos, nas mais diversas formas de exposição, obrigando os gestores a liderem com a saúde profissional da sua equipe com mais rigor e assertividade.

Visando o objetivo principal, cuidar da saúde coletiva e aumentar a produtividade, é fundamental conhecer a fundo todas as etapas de produção, identificando de maneira clara as ações que podem ser tomadas no sentido de buscar a melhoria das condições de trabalho.

Em síntese, as fases de produção são dividas em 5 etapas: preparação da carga; redução; refino; lingotamento; laminação. A seguir, analise remos resumidamente cada uma delas. 

A segurança e saúde coletiva

Aqui, estaremos estudando algumas medidas que podem ser tomadas para garantir a segurança e a saúde coletiva de indústrias que fabricam ferro-gusa. 

No entanto, para empresas do ramo siderúrgico, que não possuem as mesmas particularidades, as boas práticas serão quase as mesmas, visto que a matéria-prima dessa produção prejudica a saúde dos colaboradores mesmo não estando diretamente ligados a produção.

Recebimento e estoque de matérias-primas

Normalmente o  transporte de cargas até chegar as siderúrgicas é feito por empresas terceirizadas e especializadas em transporte ferroviário. No entanto, quando estabelecem no local de fabricação, o chão de fábrica, é papel da indústria toda a locomoção interna. 

Dito isso, sabemos que essa movimentação pode utilizar vagões e locomotivas operadas por colaboradores, submetendo-os aos ruídos dos motores, deslocamento sobre os trilhos e engate de vagões, além das sirenes de indicação de movimentação. 

Vale ressaltar que essa operação varia de acordo com tamanho e tipo de empresa, no entanto, é importante avaliar as vibrações as quais esses trabalhadores possam estar expostos. 

Além disso, o acumulo de poeiras minerais, proveniente da movimentação das pilhas e a exposição ao calor requer uma atenção especial pautada na NR-15 — lei que concede adicional de insalubridade aos profissionais expostos a muito barulho. 

Vale ressaltar que esse trabalhador pode se expor por cerca de 8 horas a ambientes com níveis de ruído de até 85 decibéis. Mas, se o ambiente for mais ruidoso — com escala chegando a 115 decibéis, por exemplo — o tempo permitido de exposição sem proteção cai para 7 minutos.

Coqueria

Em suma, a coqueificação é a decomposição térmica do carvão mineral ao abrigo do ar, que após o desprendimento da matéria volátil obtêm-se um resíduo sólido, poroso e carbonoso denominado coque.

Essa é etapa que permite ampliar e aperfeiçoar a fabricação de ferro, promovendo um avanço significativo para indústrias siderúrgicas. Elas dependem em larga do coque, que representa uma grande parcela do custo final do ferro. 

Quando se fala em segurança do trabalho em uma coqueria, destacam-se:

  • o ruído: proveniente dos equipamentos produtivos;
  • o calor: proveniente dos fornos de coqueificação, vibrações nos operadores de carro de enfornamento, desenfornamento, carro guia e locomotiva. 

Carboquímicos

As fábricas siderúrgicas, que utilizam Coqueria no seu processo produtivo, também gerenciam uma unidade de carboquímico, setor responsável pelo tratamento e limpeza do gás proveniente da produção. 

Esse setor pode ser dividido em: 

  • limpeza de gases;
  • remoção de amônia;
  • óleos leves;
  • dessulfuração;
  • destilação de alcatrão. 

Os colaboradores estarão expostos a produtos, tóxicos e não tóxicos, presentes durante todo processo de tratamento dos gases — Hidrocarbonetos, Amônia e Cianetos.

Por isso, devem ser orientados sobre as boas práticas de segurança e técnicas higienistas para manipular essas matérias. Incentivar a qualificação dos colaboradores é um ponto de atenção, que trará bons frutos, por exemplo. 

Redução

Alto forno

Após as etapas anteriores, preparação do minério de ferro e afins, os produtos subsequentes são direcionados para os altos-fornos, unidade destinada à produção de ferro-gusa líquido, o qual será transformado em aço líquido na etapa seguinte do processo (Aciaria).

Nesse sentido, os profissionais precisaram estar atentos aos riscos de exposição a ruído, calor no furo e vazamento dos fornos, além das partículas de metais, monóxido e dióxido de carbono, sulfeto de hidrogênio e dióxido de enxofre, de acordo a política de segurança da empresa.

Refino

Aciaria

Esta área é responsável pela transformação do ferro gusa por meio de tratamentos térmicos e químicos.

Considerando as atividades de cada colaborador, na aciaria, também é preciso controlar a exposição aos ruídos, gerados pelos equipamentos industriais em geral, assim como o calor, nas atividades de ajustes químicos, coletas de amostras, movimentação de gusa e aço.

Lingotamentos

Após as etapas de redução e refino, o aço em transformação é direcionado para a área de lingotamento para ser produzidas as placas e, posteriormente, a laminação, seja na própria empresa ou a dos clientes. 

Aqui os principais riscos ocupacionais também serão o ruído e o calor proveniente dessa etapa produtiva.

Laminações

Assim que saem do forno, as placas de aço são transferidas para a etapa de laminação para serem trabalhadas conforme a especificação de uso em cada produto.

E esse processo não difere dos outros no quesito risco a segurança dos trabalhadores, sendo o ruído, causado pela movimentação das placas e o calor, advindo do forno e das placas aquecidas, os principais desafios. 

Equipamentos de segurança:o uso do EPI

As indústrias devem fornecer gratuitamente equipamentos de EPI, que estejam adequados para cada tipo de risco a ser enfrentado pelos seus funcionários. 

Vale ressaltar que essa regra é estabelecida pela NR-6, ou seja, deve ser encarada como obrigação, acarretando multas pelo não comprimento. Dentre os principais equipamentos de proteção coletiva, ressaltamos: 

1. Proteção da cabeça: capacete e capuz.

2. Proteção de olhos e face: Óculos, protetor facial e máscara de solda. 

3. Proteção auditiva: Serras e outras ferramentas podem produzir ruídos em altíssimo grau, o que requer o uso de proteção.

4. Proteção respiratória: itens metálicos podem ser nocivos à saúde quando inalados, assim como poeiras, névoas e fumos. Por isso, alguns colaboradores podem precisar de respiradores.

5. Proteção do tronco: roupas de segurança são necessárias para proteger a equipe contra algumas ameaças físicas.

6. Proteção de membros superiores: Braçadeiras, cremes protetores, luvas.

7. Proteção de membros inferiores: calças, perneiras, meias e os calçados especiais. 

8. Proteção do corpo inteiro: a proteção para todo o corpo é o bom e velho macacão de trabalho.

9. Proteção contra quedas com diferença de nível: O trava-quedas e o cinturão são os equipamentos básicos de proteção contar quedas.

Considerações Finais 

É incontestável a importância que a indústria siderúrgica tem na economia e no desenvolvimento de uma nação. 

O aço está presente em quase todas as atividades diárias da humanidade, seja no transporte, comunicação, utensílios domésticos, lazer. Quase tudo que se utiliza pode ter algo ligado a esse tipo de indústria.

Nesse artigo, esperamos que você entenda que é preciso disseminar a saúde e a segurança de modo a despertar a consciência daqueles que poderão se tornar os principais prejudicados. 

Dizemos isso porque empresas que investem em programas para conscientizar os colaboradores, consequentemente, melhoram a qualidade de vida deles. 

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Até a próxima!